terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Fundação e História desde 1909 a 1915

Face ao aproximar da grande data única, do Centenário da fundação, é importante dar a conhecer, também através desta plataforma, alguns dos documentos que constituem prova viva da história da nossa tão querida e única, União Artística Vilarealense.
A seguir se transcreve uma "Singela narrativa sobre a fundação e administração da nossa colectividade desde 1909 a 1915" , datada de 30 de Dezembro de 1915, parte do relatório de contas desse ano.
O sócio não identificado, autor do documento, recorda que em 1911 foi o único ano em que citou todos os nomes dos corpos gerentes, apenas por uma questão de encurtar o documento, para tornar a impressão do relatório "... o mais barata possível."
Ainda recorda também, que "...desde 12 de Dezembro de 1909 a 24 de Março de 1911, a associação esteve, por assim dizer, só a cargo do seu primeiro presidente, Sr. Artur Gonçalves Basto.
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""Não existindo no arquivo da associação elementos suficientes para poder fazer-se uma elucidação exacta da sua fundação, e guiado por um simples livro de actas, incompletas, das reuniões de direcção, que vou tentar desobrigar-me da missão honrosa de que me fui incumbido.
Sem duvida, deve haver nesta singela narrativa muita lacuna, devido a desconhecer a verdadeira origem que deu origem à fundação em Vila Real de uma associação operária. Aos Camaradas mais autorisados sobre o assunto que vou tratar, peço desculpa de tão grande atrevimento, ficando convicto de que serei perdoado desta minha leviandade, filha do amor que dedico à nossa tão querida agremiação.

Em 12 de Dezembro de 1909, por uma simples lembrança, reuniram-se nos baixos duma casa situada em frente à Travessa da Trindade, desta Vila, meia dúzia de operários numa noite de Dezembro, dessas noites invernosas em que o vento sopra rijo e fortemente, fazendo-se acompanhar de grossas botas para a água. Ali, combinaram fundar uma associação de pobres e humildes a que alguém se lembrou dar o nome de União de Mocidade Imparcial, sendo a designação aprovada por unanimidade por todos que assistiram à reunião, pois não desejavam que a sua colectividade tivesse qualquer fracção política, e assim, no meio do maior entusiasmo procedeu-se à nomeação dos primeiros corpos gerentes que assumiram administrá-la.
A nomeação recaíu nos seguintes associados: Artur Gonçalves Basto, José Justino Ribeiro, Heitor Serafim, José Inácio, Manuel Seixas, Manuel Pereira Junior, José Maria Neves, José Esteves e António Rodrigues de Sousa. Segui-se de imediato a tomada de posse nos diferentes cargos que foram designados, saudada com palmas e vivas entusiásticos à medida que iam fazendo juramento solene de velarem pela associação e firmando a sua assinatura no respectivo livro.
Combinaram depois que até ao final do mês tratassem apenas da inscrição de sócios e marcaram a primeira reunião de direcção para o dia 2 de Janeiro de 1910, para então tratarem diferentes assuntos relativos ao bom funcionamento e progresso da sua florescente colectividade.
Fieís ao compromisso assumido, reuniram efectivamente a 2 de Janeiro de 1910 tratando de apreciar os requerimentos dos sócios angariados e substitir os vogais da direcção Manuel Pereira Junior e António Rodrigues de Sousa, que, devido aos seus muitos afazeres, não podiam cumprir o juramento que haviam feito ao tomarem posse dos seus cargos, sendo respectivamente, substítuidos pelos associados Albano Pinheiro e Damião Rodrigues de Sousa.
No dia 30 de Janeiro de 1910 reuniram novamente, sendo proposto pelo sr. Artur Basto, a fundação duma Caixa de Socorros, o que foi unaninemente aprovado, abrindo-se, para tal, uma quota entre os sócios, cujo valor se desconhece.
È costume as agremiações operárias solenizarem o 1.º de Maio que é consagrado ás classes trabalhadoras, e por isso, realizou-se nesse dia os seguintes festejos:
Alvorada; Missa e benção da Bandeira e noite espectáculo de gala no Teatro Circo.
O sr. Comendador José Augusto de Barros, que havia oferecido a bandeira, presidiu então aos festejos desse dia.
No dia 9 de Maio de 1910 reuniu a assembleia geral de sócios para tratar diferentes assuntos de interesse para a associação, dentre os quais se destacam os dois mais importantes.
- a mudança de nome que passou a ser União Artística Imparcial;
- a organização de um passeio de todos os associados e suas famílias à estância termal das Pedras Salgadas, a qual se veio a realizar em 21 de Agosto de 1910 com um grande número de pessoas devido sem dúvida a ser esta a primeira vez que em Vila Real se organizou uma agradável iniciativa do género.
No dia 24 de Março de 1911 foi realizada uma reunião entre os corpos gerentes em gestão até essa data, tendo os mesmo apresentado demissão colectiva, nomeando porém uma comissão administrativa composta pelos sócios: António Rodrigues Pinto, Miguel António Teixeira e Damião Rodrigues de Sousa, a qual mandou executar em três dias à primeira eleição de corpos gerentes. Resultados dessa eleição:
Assembleia Geral: Miguel António Teixeira, Marcelino Maria de Sousa Coutinho, António Rodrigues de Sousa e Armindo Pinto dos Santos Machado
Direcção: Luís Teixeira Pinto, António Rodrigues Pinto, Domingos Ferreira Alemão, Manuel Alves dos Santos, José Maria de Morais, Damião Rodrigues de Sousa, Isaías Pinto, Macário Gabriel e José Bento de Morais
Conselho Fiscal: Artur Gonçalves Basto, Albano Figueiredo e Manuel de Sousa
Os associados que formavam o conselho fiscal renunciaram ao cargo e como os camaradas Domingos Gomes de Barros, Miguel Guerra e Joaquim Matos tinham obtido tambem votos para esses lugares, foram chamados a substituir os primeiros.
Depois destes corpos gerentes tomarem posse dos diferentes cargos para que haviam sido eleitos, a direcção na sua primeira reunião resolveu, sendo geral o agrado de todos os sócios por essa resolução mudar o nome de União Artística Imparcial, por não estar muito a propósito, pois que a a associação devia, quando mais não fosse, cuidar da melhoria da situação não só dos associados, como tambem dos interesses de todas as classes proletárias, sendo então escolhido o título de União Artística Vilarealense, nome que ainda hoje conserva e, francamente, o que melhor significa a existência da associação.
Tendo oferecido gratuitamente à associação os seus serviços clínicos o Exmo. Sr. Dr. António Sampaio, a direcção aceitou essa valiosa coadjuvação e nomeou uma comissão que pessoalmente foi agradecer esse importante benefício, levando consigo o ofício em que nomeava sócio benemérito aquele distinto facultativo.
Também nessa reunião foi proposto por um membro da direcção que à Caixa de Socorros se desse o nome de D.Virgínia Teixeira Bruillard, em virtude de ter dado provas evidentes de ser uma verdadeira e desvelada protectora das classes trabalhadoras. Comunicado a S.Exa esta resolução, imediatamente respondeu, agradecendo a lembrança e enviando o valioso e importante donativo de 100$00 (cem escudos), que foram empregues na aquisição de títulos de dívida pública, garantidos pelo governo Português. Desde essa data até hoje, já nos foram enviados por S.Exa, mais 210$00 (duzentos e dez escudos) que tiveram o destino da primeira dádiva.
Como no ano anterior, festejou-se o 1 de Maio com um programa deslumbrante, próprio das festas realizadas, nesse dia, por associações congéneres, que engrandeceu o mesmo, com o cortejo cívico, onde se encorporaram, além da Cãmara Municipal e todas as colectividades desta Vila, 4 carros com figuras alegóricas, ricamente vestidas.
Em 20 de Agosto realizou-se uma excursão a Vidago e Pedras Salgadas que não desmereceu da realizada no ano anterior.
Neste ano foram aprovados os estatutos (em vigor até 1950), havendo, por tal motivo, no dia 3 de Dezembro, uma sessão solene como regosijo por se ter conseguido a respectiva aprovação, uma das maiores aspirações dos sócios.
A direcção ao terminar o seu mandato entregou o saldo de 45$24,5 respeitante à associação, e de 27$23 em dinheiro pertencentes à Caixa de Socorros, além de 93$00 em títulos de dívida pública, da qual haviam recebido com fundo existente apenas 90,5 !!! [ o apenas e os !!! no documento original confirmam que 2$5 era um elevado número de dinheiro na altura]
Estes saldos deram ensejo a que os sócios novamente escolhessem para presidir aos destinos da associação durante o ano de 1912, os corpos gerentes que administraram a associação durante o ano de 1911, sendo, com raras excepções, reeleitos os mesmos camaradas.
A 5 de Fevereiro de 1912 foi solicitado pela direcção à Câmara Municipal desta Vila, a exemplo do que haviam feito várias câmaras do País, para que a uma das ruas ou largos de Vila Real, fosse dado o nome de "1.º de Maio", sendo atendida no seu pedido pela Câmaram, que destinou para esse fim o antigo Largo de S.Pedro.
No dia 24 de Março foi criado na associação um curso nocturno de instrucção primária, que foi dirigido desde o seu ínicio, generosa e gratuitamente pelo hábil professor de ensino primário Exmo. Sr. Henrique Nogueira.
Infelizmente com pouca adesão e, se o mesmo ainda existia era devido à vontade do seu director, que é incansável e não desanima apesar da pouca comparência, tendo conseguido submeter a exame alunos quase analfabetos quando começaram a frequentar o curso, que obtiveram altas e honrosas classificações, esperando ainda que melhores dias surjam ao referido curso.
Tambem nesse ano se realisou no dia 1 de Maio a solenização da Festa do Trabalho, que revestiu um desusado brilhantismo.
No cortejo cívico encorporaram-se 7 carros alegóricos, confecionados a preceito e oferecidos pelos Bombeiros Voluntários, Voluntários de Salvação Pública, Associação Comercial, Tuna da União Artística Vilarealense, Luis Gonçalves, uma comissão de operários da arte de pedreiro e carro da União Artística Vilarealense.
Esta foi a melhor que a associação realisou e que deixou não só entre associados, como entre todos os Vilarealenses, as mais gratas e perdoráveis recordações.
Em 15 de Julho, a direcção resolveu, segundo o velho costume, organizar uma excursão a Viana do Castelo - o jardim do Minho - em virtude de nos últimos anos ter sido feita a Vidago e Pedras Salgadas. Esta excursão não se chegou a realizar, por falta de número, embora o preço dos bilhetes fosse relativamente barato. Perderam, todas as pessoas que não conhecem Viana do Castelo, uma bela ocasião de visitar a mais bela terra minhota e disfrutar o panorama líndissimo que se oferece à vista, subindo ao cimo do monte de Sta Lúzia, onde estão principiadas as obras de um verdadeiro edíficio, que seria uma útil lição para todos os camaradas da arte de pedreiro, e admirar o enorme depósito de água que abastece aquela cidade, bem como um suptuoso hotel que, pela sua moderna construcção, é digno ser visitado por todas as pessoas.
Em 15 de Outubro oficiou a direcção ao Provedor do Hospital da Divina Providência desta Vila, que ao tempo era o Exmo. Sr. Fausto Rodrigues dos Santos Ribeiro, para que fossem fornecidos gratuitamente aos sócios da União Artística Vilarealense, os medicamentos necessários para as suas enfermidades, sendo atendido o seu pedido.
Com esta concessão lucrou muitíssimo a associação, pois inscreveu-se grande número de sócios que, com a sua propaganda em favor da associação, captaram para esta a simpatia de todos os Vilarealenses.
A direcção entregou no fim do ano um saldo de 52$60,5 , referente à associação e de 52$64,5 respeitante à Caixa de Socorros, além dos títulos da dívida pública acima mencionados pertencentes à mesma Caixa.
Com o ínicio de 1913 , devido à boa orientação dada a esta colectividade pela direcção que a administrou durante os dois últimos anos, reuniu-se um grande número de associados e constítuidos em comissão, foram rogar-lhes para que mais um ano continuassem à frente da associação, ao que a maioria da mesma se recusou, sendo por esse motivo, eleitos para a direcção os seguintes camaradas: Domingos Gomes de Barros, Roldão Alves de Figueiredo, Miguel Gonçalves Guerra, Albano Pinheiro, Francisco Pinto de Matos, Alfredo Agrelos, José Bento de Morais, António Vasques Teixeira e Manuel Alves Janeiro.
No dia 7 de Janeiro foi organizado um grupo dramático, com o fim de evitar a grande exploração que vinha sendo feita não só a esta colectividade como a todas as agremiações desta Vila, por grupelhos estranhos à nossa Terra.
Em 4 de Fevereiro oficiou a direcção ao concessionário da Luz Eléctrica, para que a mesma fosse instalada na associação, rogando-lhe, ao mesmo tempo, um preço inferior ao designado pela respectiva tabela para o seu fornecimento. O Sr. Emílio Biel foi mais além neste pedido, concedendo o número de lâmpadas necessárias gratuitamente e todo o material preciso para a sua instalação. Já algumas vezes a fachada da associação tem sido iluminada de luz eléctrica e nunca foi cobrada qualquer importância por aquela empresa.
Para que esta concessão fosse concedida muita contribuiram os esforços empregados pelo Sr. Guilhermino Gomes e pelo nosso camarada Roldão Alves de Figueiredo , junto do Exmo. Sr. Emílio Biel (grande amigo entretanto falecido não só da nossa colectividade como das classes trabalhadoras).
No dia 1 de Maio efectuaram-se os costumados festejos, que não desmereceram dos realizados anteriormente. Foi nesse dia que o grupo dramático composto por amadores nossos companheiros, fez a sua estreia, agradando muitíssimo o correcto desempenho das peças que levaram à cena, e captando, desde então as simpatias do público que, no final do espectáculo, lhes fez uma entusiástica ovação.
A Sr. D. Maria Alves Pereira, organizou durante alguns Domingos que precederam o 1.º de Maio, bazares de prendas, no Largo Conde de Amarante, abrilhantados pela banda de infantaria n.º13 , dos quais reverteu em favor do cofre da Caixa de Socorros, a quantia de 49$38.
No dia 17 de Agosto teve lugar a terceira excursão a Vidago e Pedras Salgadas, sendo muito concorrida, pois acompanhou-a uma banda de música, que muito contribuiu para o seu grande entusiasmo. Desta excursão deu entrada no cofre da Caixa de Socorros, a quantia de 11$27, producto líquido.
No dia 21 de Setembro foi a União Artística Vilarealense visitada pelo Grupo Musical Juventude Portuense, a quem foi feita uma recepção digna, ficando os visitantes muito gratos para com a nossa colectividade, pela maneira verdadeiramente fidalga como por ela haviam sido recebidos.
A direcção entregou no fim do ano da sua gerência os seguintes saldos:
da associação 92$75,5 e da Caixa de Socorros 48$35 bem com 297$50 em papeís de crédito.
No ínicio de 1914 tomaram posse os seguintes associados na direcção da associação:
Roldão Alves de Figueiredo, José de Aquino Ribeiro, Albano Pinheiro, José Maria de Morais, Diogo Vieira da Silva, Manuel Alves dos Santos Júnior, Narciso Mendes Pereira, José Maria da Rocha e Francisco Pinto de Matos.
Durante este ano, a não ser uma administração feita com zelo e a realização em Maio da Festa do Trabalho, que revestiu uma certa imponência, nada há a registar, devido aos afazeres particulares de alguns membros da direcção que se viram obrigados a abandonar os lugares que ocupavam, por não poderem desempenhá-los com a actividade que desejariam.
O saldo anual foi: 162$93,5 pertencentes ao cofre da associação e 131$10 da Caixa de Socorros, assim como 348$38 em títulos da dívida pública, respeitantes à mesma Caixa.
Em 1915 a direcção era assim composta: Roldão Alves de Figueiredo, Jaime Rodrigues dos Santos, Manuel Pereira de Azevedo, Miguel Gonçalves Guerra, Lourenço José Nogueira. Luís Gonçalves, Lourenço Neto, António Rodrigues Pinto e Manuel Alves dos Santos.
Esta direcção sabendo que existia da parte dos habitantes de Vila Real um certo desinteresse
pela União Artística, devido à oreintação que julgaram ela possuir, empregou todos os seus esforços e boa vontade para reconquistar a simpatia do público, havendo sido coroado do maior êxito o seu trabalho. O maior exemplo é a atenção dispendida por vários cavalheiros e senhoras da nossa primeira sociedade, para a realização de dois espectáculos em benefício do nosso cofre. Ainda a inscrição de alguns sócios beneméritos, dentro dos quais o Exmo. Sr. David Albino Martins, de Lisboa e Joaquim Vitorino de Oliveira, nosso ilustre conterrâneo, cujas obras de verdadeira filantropia praticadas a estabelecimentos de caridade e as pobres desta terra, são por todos conhecidas.
As entradas de sócios efectivos regulam pelas dos anos transactos. A direcção não descurou este assunto, e para conseguir elevar o número de associados nomeou uma comissão de propaganda composta dos operários José de Aquino Ribeiro e Manuel Alves dos Santos, que empregaram toda a energia para bem se desempenharem da missão que lhe foi imcumbida, satisfazendo dessa formaos desejos da direcção. Esta comissão, pouco conseguiu, infelizmente, devido à maioria dos operários Vilarealenses, ser refractária ao meio associativo. Não devemos nós, associados desanimar por esse facto, e encorajados pela nossa vontade, devemos trabalhar pelo engrandecimento desta associação e agourando-lhe um futuro sorridente e próspero.
A Festa do Trabalho realizada nesse ano, se não foi superior ás transactas, pelo menos igualou em imponência e luminosidade.
Foi infeliz este ano a direcção, pois como sabeis é do producto do espectáculo realizado no 1.º de Maio, que são custeadas todas as despesas feitas com a festa daquele dia, que ao contrário dos outros anos, em que sempre houve saldos, em 1915 resultou um défice de 49$63.
A fim de cobrir esse valor que, por certo, viria dificultar a vida financeira da associação, foram organizadas duas sessões cinematográficas que se realizaram no Salão High-Life, generosa e gratuitamente cedido pela empresa António Gomes & Almeida, das quais ficou um saldo, depois de descontado aquele défice , da quântia de 19$15.
Para o bom êxito destas sessões muito contribuiu a coadjuvação prestada pelo Exmos. Srs. Guilhermino Gomes, José Augusto Pinto de Barros, Dr. António Sampaio, Dr, Joaquim de Azevedo, Estanislau Correia de Matos, Olindo Gomes Ferreira, D. Amélia Machado, Roque Pinto da Fonseca, João Fernandes e todo o pessoal daquela casa de diversões.
No mapa da despesa desse ano, é feita referência à verba de 38$35 referente à aquisição de 400 diplomas para sócios efectivos e 100 destinados a beneméritos desta casa.
O corrente ano foi muito doentio, motivo porque a nossa Caixa de Socorros teve grandes despesas com medicamentos fornecidos aos associados, havendo dispendido no mês de Agosto último, a quantia de 18$29!
Com o fim de fazer face ás despesas da nossa Caixa de Socorros, foi organizado no Teatro Salão, gratuitamente cedido pela respectiva empresa, um sarau dramático, no dia 24 de Outubro, do qual reverteu em favor da Caixa de Socorros, um saldo de 87$81,5.
Este sarau foi muito concorrido por parte do público, em virtude do seu fim altruísta e humanitário, tecendo-lhe a imprensa local, não só por esse motivo, como pela forma brilhante como ela decorreu, as mais elogiosas referências.
É certo que isso se deve ás senhoras e cavalheiros, nossos conterrâneos que participaram no sarau, para cujo brilhantismo e bom êxito muito contribuíram as Exmas. Sras. D.Isaura de Oliveira, D.Maria do Carmo Barreira, D.Matilde Costa, D.Amélia Machado, a menina Maria Amélia Almeida, e os Exmos. Srs. Joaquim Vitorino de Oliveira, Dr.Mário de Oliveira, Dr. Henrique Botelho, Dr. Emídio Roque da Silveira, José Augusto Pinto de Barros, Ilídio Ruas, Artur Pedrosa, João Borges, Alfredo Melo, Olindo Gomes Ferreira, José Barreira, António Vieira Claro, José Coelho entre outros.
A Exma Sr. D.Virgínia Teixeira Brouillard, continua a dispensar à nossa Caixa de Socorros, a mais alta protecção, pois que, apesar de longe, não se esquece da obra altruísta que iniciou na nossa associação - a fundação da Caixa de Socorros. A Sua Exa. tributam todos os sócios da União Artística, o mais profundo reconhecimento pelos benefícios que ela lhe vem prestando.
Apesar das contrariedades associadas a este ano, a sua direcção incansável conseguiu ver realizada a sua aspiração, apresentando saldos superiores a todas as outras sendo : 225$04,5 da associação e 405$44,9 da Caixa de Socorros, além dos papéis de crédito já mencionados.
Oxalá que as futuras direcções saibam compreender a obra encetada e sigam os passos da direcção cessante que, com honra, brio e dignidade, terminou o seu mandato, para desta forma se aumentar o prestígio da União Artística Vilarealense. Assim o espero, confiando na boa vontade de todos.
Eis, em resumo, o que se me oferece dizer sobre a fundação e administração da nossa colectividade, desde o seu ínicio até à presente data.
O que aqui fica, nada vale e apenas representa um pouco de trabalho, infelizmente mal sucedido, pois ele não corresponde aos desejos dos camaradas que me imcumbiram de tal empresa.
Termino pois, como começei, pedindo desculpa aos companheiros, que mais autorisados do que eu sobre o assunto, poderiam tratá-lo com mais conhecimento, saber e eficácia, esperando deles a absolvição desta minha leviandade, filha do grande amor que dedico à União Artística Vilarealense.""

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Almoço Convívio - 1 de Novembro 2009

Em nome de todos os elementos da Comissão Administrativa fica aqui o agradecimento a todos os presentes no Almoço de dia 1, brilhantemente servido no Restaurante Churrasqueira Zé dos Frangos em Vila Real.Bem hajam e até ao próximo convívio ...

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Programa 99.º Aniversário

01 de Novembro de 2009

08 Horas
Alvorada
Salva de Foguetes
Hastear de Bandeiras na Sede da Associação

09 Horas
Missa na Sé Catedral por alma dos Sócios e Beneméritos falecidos

10 Horas
Romagem aos Cemitérios da Cidade: São Dinis e Santa Iria

13 Horas
Almoço Convívio

15 Horas
Homenagem a título póstumo ao Director Joaquim Barreira dos Santos
Convívio na sede da União com Sócios e Familiares
Torneio de Damas e Sueca

17 Horas
Brinde e Bolo de Aniversário

- A sua presença é importante, contamos consigo… -

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Carvalho Araújo - 14 de Outubro de 1918

- Uma das mais belas páginas da história da marinha de guerra portuguesa -
"O caça-minas Augusto de Castilho, um antigo barco de pesca reconvertido num navio de guerra, tinha por principal função, no decorrer da I Grande Guerra, a patrulha de alto mar, a rocega de minas e a escolta de comboios de navios. Quando escoltava o navio São Miguel, que se dirigia da Madeira para os Açores, foi surpreendido pelo fogo alemão de um submarino U-139. Apesar do navio de guerra português ter um equipamento bélico muito inferior ao submarino alemão, enfrentou-o corajosamente, permitindo a fuga do vapor São Miguel que transportava cerca de trezentas pessoas, segundo o Diário de Notícias ou mais de mil e quinhentas, de acordo com dados do Museu da Marinha .
O caça-minas Augusto de Castilho acabou por ser afundado pelo submarino alemão mas os portugueses lutaram heroicamente até ao último momento, tendo perdido a vida o 1.º Tenente Carvalho Araújo, comandante do navio, assim como um aspirante a oficial e quatro praças.
Demonstrando uma grande capacidade de sobrevivência, os restantes elementos da tripulação conseguiram resgatar-se numa baleeira, tendo remado, durante seis dias, através do Atlântico, até alcançar a ilha de São Miguel. "
Fonte: Diário de Notícias n.º 29692, de 14-10-1946, p. 1

- " Hei-de morrer como Português " - A reacção à Morte de Carvalho Araújo em Vila Real -
Por subscrição nacional iniciada pela União Artística Vilarealense, o herói vilarealense foi eternamente recordado, num monumento (da autoria do escultor, Anjos Teixeira), inaugurado em 1924, existente na Avenida com o seu nome, na cidade de Vila Real.
Carvalho Araújo obteve várias condecorações , ao longo da sua curta vida militar.
Entre elas avultam a Cruz de Guerra de 2ª Classe e o II Grau da Ordem de Torre Espada , concedidas postumamente.
A maquete em gesso originalmente usada para a construcção do monumento, pode ser visitada diariamente no salão da União Artística.

sábado, 10 de Outubro de 2009

"O NOSSO APÊLO" - 1950

Em Julho de 1950 (altura em que se realizou a última revisão de estatutos) a Direcção publicou o referido apelo que passamos a transcrever:

"Da Solidariedade entre os homens, da estreita aproximação e compreensão entre eles, é que há-de nascer a tão desejada "Paz" no Mundo.
A solução dos grandes problemas da "Vida", alcançar-se-á com esta coisa simples:
- uma decidida boa vontade ao serviço do que é razoável e justo;
E nada mais razoável nem mais justo que o convívio fraterno da família humana, partilhando o pão, as alegrias e as próprias dores!
As Associações de "Cultura e Beneficiência" são um caminho aberto e já começado o trilho, para atingir almejado fim. Pela solidariedade dentro delas e entre elas, se poderão derrubar as barreiras que em tantos casos separam os homens e destruir as ruins paixões que envenenam a vida!
A "União Artística Vilarealense" uma das mais antigas Colectividades de Cultura e Beneficiência, conta já no seu activo com algumas iniciativas e realizações de solidariedade de que se orgulha, afirmando-se compenetrada do seu papel e disposta a maior e melhor contribuição para a tarefa de entendimento e de "Paz" em que se encontra empenhada. Mas para levar a cabo tão alta e benemérita tarefa, carece do concurso inteligente de todos os sócios espalhados de Norte a Sul de Portugal.
Daqui os insitamos a agremiarem-se de novo na nossa querida colectividade, fortalecendo-a e alargando-lhe as possibilidades de acção.
E aos actuais associados lembramos que um dos meios de engrandecermos esta causa, consiste em cada um dos inscritos activos impor a si próprio o encargo de fazer registar nos nossos livros, novos e sucessivos associados.
Porque o fim que nos propusemos bem merce o nosso carinho, aqui deixamos um veemente apelo a todas as pessoas de bem. "


quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Cinco décadas de televisores, foi a proposta do Museu do Som e da Imagem até ao dia 31 de Outubro último, uma reunião de diversos aparelhos receptores de televisão, entre os quais está tambem patente o nosso televisor de 1958, ano em que chegaram as primeiras emissões à nossa cidade. É uma oportunidade única de acompanhar a evolução tecnológica na área, agora patente na sala de exposições temporárias do Teatro Municipal de Vila Real.
A entrada é gratuita.

_______o nosso televisor_______
Marca: Philips
Modelo: 23 TX 360 A/02
País de Origem: Holanda
Data: c. 1958
Ecrã: 56 cm; preto e branco